Mostrando postagens com marcador Ícone Transição Capilar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ícone Transição Capilar. Mostrar todas as postagens

23 setembro 2016

Pra ficar bonita tem que sofrer!

E você concorda com a frase que dá título para esta postagem?

Meu Deus...

Quantas vezes escutei essa frase nos "salões de beleza". E sempre saía aquele sorriso amarelo de quem concordava com a frase imposta por alguém e aceita por tantas de nós.

Claro que, se eu quiser que meu cabelo seja liso (o que ele não é de natureza) eu vou sofre dores e meu cabelo também sofrerá.

E lembro bem das vezes que eu ficava sentada na cadeira giratória dos salões de beleza. 
O vapor quente do secador de cabelos, a escova redonda de vários tamanhos que, algumas vezes se enrolava toda no meu cabelo. 
A força que a profissional fazia puxando os fios e eu me segurando na cadeira, firmando a cabeça.
E quando era para secar e puxar essa parte bem perto da orelha? E o medo que dava de queimar? E as vezes que já queimou?
Alguns salões tem um tampão para orelhas que não adianta nada. Se você segurar o tampão com a sua mão, você protege a orelha e queima os dedos.
Depois de tudo isso, a piastra. Pois o secador e as escovas redondas não alisam os cabelos crespos com tanta facilidade. 
E o medo que eu tinha daquela prancha esbarrar no meu couro cabeludo?
E as vezes que já esbarrou?

"-Pronto! Está linda agora."

Sempre dizem essas profissionais.

Uma menina com o cabelo anelado, crespo, sai do salão balançando os "seus" lisos cabelos. 
Corre de cada gota de água.
Tenta não suar para que a escova dure mais tempo.
Coloca sacola plástica na cabeça na hora de tomar banho.

Quando não é o processo de alisar temporariamente os fios é o processo de alisar definitivamente, ou relaxar, ou usar o super relaxante. Doloroso também. Algumas mulheres crespas têm seu couro cabeludo queimado, machucado, ferido, por causa de uma química que promete deixar os fios mais macios e controlados.


Me responda por favor: Quem disse que o cabelo é duro? Quem precisa ser controlado? 


E assim foi minha vida em busca da beleza que é anunciada.
Aquela beleza que você precisa de sofrer para adquiri-la. 

Ainda bem que o tempo passa. E com ele observamos nossa evolução, nossa transformação, nossa transição. 
Vê lá se uma mulher, com qualquer tipo de cabelo, precisa depender de uma ideia assim para pensar que possui beleza.


Terminei a transição capilar. Fiz o Big Chop.
Mas estou em transição com minhas ideias, com minha presença nos ambientes em que atuo. Em transição com o pensamento que as pessoas têm de mim. 

É bom ser "essa metamorfose ambulante".

É bom desejar ser livre e ser, pelo menos no que diz respeito ao cuidado com os cabelos e comigo mesma. 

É bom, é gostoso demais conhecer seu cabelo, vê-lo nascer, senti-lo crescer naturalmente.

É bom lavar, passar um creme e esperar secar.

É bom inventar penteados com grampos e panos.

É bom não depender da mídia e das fotos das capas de revista para sentir-se bela.

Gostaria de citar a fonte desta bela foto. Mas não tenho.


Que fique registrado o meu respeito a todos que escolhem esticar, relaxar, alisar, enrolar.
Todos nós podemos fazer escolhas. É preciso que entendamos isso. Todos nós podemos escolher o que quisermos. Inclusive ser natural.


Paz pra nós!


AnaVi. 



05 maio 2015

O racismo do ponto de vista do negro


Eu observo com frequência discussões sobre racismo, discriminação racial, nas redes sociais.
É certo que cada pessoa expõe a opinião a partir de seu ponto de vista, do local em que se encontra.

Gustavo é o garoto que aparece no vídeo abaixo diz:
"É importante mostrar a realidade a partir do ponto de vista do próprio negro".

Com uma sabedoria espetacular, para uma criança de 10 anos, Gustavo nos ensina muito nessa pequena entrevista.

Em sua fala diz que todos somos iguais e, algumas pessoas parece que não entende isso e trata o outro de acordo com a cor da pele. 

Outra fala que considerei fantástica foi quando disse que não podemos fazer as coisas sozinhos, sempre precisamos do outro, do nosso semelhante. Mas existem pessoas que não enxergam isso. Gustavo diz que os contos africanos nos ajudam a respeitar o outro já que precisamos de conviver com o próximo.


Veja o vídeo aqui


O conselho de Gustavo é:
"não precisamos de debater com o outro, mas precisamos mostrar o que é ser negro do ponto de vista do próprio negro, mostrar para o outro que não concordamos com o que ele diz, sem ser arrogante".

Não cansaria de bater palma pra você Gustavo.





12 janeiro 2015

1º Encontro de Crespas e Cacheadas em Três Rios

Dia 10 de janeiro participei do 1º Encontro de Crespas e Cacheadas em Três Rios.
Eu nunca havia participado de um evento assim... com  mulheres lindas e divas falando sobre a beleza de seus cabelos, de seu corpo, de sua raiz.

Foi um encontro magnificamente belo!

E claro... você deve imaginar que as conversas, debates e reflexões não foram somente sobre o cabelo, sua textura, sua cor, seu comprimento. 
Falar sobre cabelo crespo também é falar sobre sua aceitação na sociedade, é falar sobre racismo, é falar sobre resistência.

Fiz a cobertura fotográfica do evento pela "Negra Mulher Bela". 
Se quiser saber mais sobre tudo isso dê uma passadinha lá no facebook ou blog.



Abraço.
{AnaVi}

22 dezembro 2014

Sobre a exposição

Dias atrás falei sobre a exposição fotográfica que participei, no mês da consciência negra.

A noite foi bela, foi rica.

A Professora Cecy Barbosa Campos fez uma linda apresentação da vida e trajetória de Abdias Nascimento, que é um referencial quando o assunto é a luta pela igualdade racial. Esse ativista nos deixou um legado de lutas pelo povo afrodescendente no Brasil.
Para conhecer mais sobre Abdias Nascimento clique aqui.






Em seguida, tivemos a maravilhosa apresentação do "Batuque Afro-Brasileiro Nelson Silva", que é um dos maiores representantes da cultura afrodescendente em Juiz de Fora. Nelson Silva foi compositor e ritmista que defendeu a temática negra em busca de liberdade e igualdade.

Por meio do decreto nº 9.085, de 15 de janeiro de 2007, o grupo foi registrado como Bem Imaterial pelo valor histórico e cultural que envolve sua tradição divulgando a cultura negra através de suas composições, suas letras, seu cantos, seus lamentos, suas raízes e suas danças.






O projeto do Varal Fotográfico contemplou mulher afrodescendente que tem cada vez mais assumido seus traços, seu corpo, seu cabelo, sua essência. Elas reconhecem sua beleza, sua capacidade de atuar em áreas que não são somente o serviço doméstico e serviçal, também a capacidade de atuar dentro das faculdades, dialogar e transformar atitudes que possam ser preconceituosas.


Para conhecer a apresentação do projeto, clique aqui. 








Foi assim.
Rica e bela a nossa noite.

Agradeço a todos que ajudaram e incentivaram.
Agradeço também aos que comentaram no post anterior solicitando notícias do evento.

Até mais.
AnaVi


26 março 2013

Homenagem: cabelos de palha de aço.

Mesmo depois da repercussão negativa da propaganda da marca Cadivel (se você não viu, clique aqui), o estilista Ronaldo Fraga quis "homenagear" os negros com cabelos de palha de aço. 


E eu te pergunto:
Quem quer uma homenagem assim?
Seja sincero (a). Você quer ser homenageado (a) desta forma?




O que mais me assusta é o fato de que as pessoas acham que não estão ofendendo ninguém com esse tipo de "homenagem". 

Assistir um desfile assim me motiva a dizer que o outro tem cabelo de palha de aço, cabelo Bombril, cabelo duro. Crianças com cabelos anelados e crespos enfrentam isso nas escolas.

E nem precisa de ser criança para escutar os amiguinhos dizendo isso. 
Nós, jovens, adultos que temos cabelos crespos e afros, vira e mexe, escutamos piadinhas desse tipo.




Ontem (segunda-feira, dia 25 de março), uma agência de modelos levou para a Av. Paulista modelos que desfilaram em protesto contra o estilista Ronaldo Frago.



Parabéns para essa agência de modelos que soube ser criativa e ousada em seu protesto.

Posso até tentar entender a criatividade do estilista, sua ousadia, querer ser diferente na passarela.
Mas, por favor, cabelo de palha de aço não.
Isso não é uma homenagem para mim.

Obrigada.

Ana Virgínia

03 fevereiro 2013

Não preciso de Cadiveu

O título deste post se refere a uma resposta das portadoras de cabelos lindos afros, crespos e cacheados à uma infeliz campanha publicitária da marca de produtos de beleza para cabelos Cadiveu.

A propaganda dessa marca consistiu em colocar perucas do estilo black power, juntamente com uma placa escrita "Eu preciso de cadiveu".




Foi instantânea a resposta daqueles que se sentiram ofendidos. Nas redes sociais surgiram críticas à essa campanha, que foi classificada como preconceituosa e racista. Essas críticas levaram a fundadora da empresa, Cláudia Alcântara, a postar uma infeliz mensagem de esclarecimento.


"Quero dizer a vocês que essa brincadeira que nós fazemos é tão divertida e contagiante, que é sucesso no mundo inteiro, em todos os eventos", postou a empresária. "Essa 'peruca' é falsa, feita de plástico e não lembra um cabelo humano nem a quilômetros de distância", acrescentou.

Diante da repercussão negativa, poucas horas depois, a fundadora da marca publicou um pedido de desculpas. "Pessoal, respeito a opinião de todos! E peço desculpas do fundo do meu coração se ofendi alguém. Essa não foi a minha intenção. Nós simplesmente (por um erro de falta de análises) não ligamos essa brincadeira a uma atitude preconceituosa. Sinto muito por isso e segue meu pedido de desculpas", escreveu Claudia, que publicou junto com a mensagem uma imagem com a mensagem "Amamos Black Power".

O que dizer?
Como uma afrodescendente de cabelos crespos, demonstro aqui neste meu espaço, minha indignação ao ver propagandas como essa. 
Ainda que muitos digam que não tem nada a ver com preconceito, eu considero como sendo.
A sociedade, a mídia, ditam uma "falsa beleza", um ideal a ser seguido e nós, mulheres, (também os homens),  somos sufocadas, massacradas, tentando ser uma coisa que não é de nossa natureza.

Dizem que bonito é o cabelo liso, com chapinha, piastra e tantas outras coisas.( Não tenho nada contra e respeito as mulheres que querem seguir esse padrão de beleza.) Daí as mulheres de cabelos crespos se vêem em salões de beleza utilizando de todas as formas e fórmulas para alisarem o cabelo. Acreditam que somente isso é bonito, somente isso é belo. 

Que pena!

Esquecem de sua beleza natural, que seus crespos são falam sobre suas raízes. Neles está contida sua história. 

Sou tataraneta de homens e mulheres que foram trazidos de regiões africanas para serem escravizados neste Brasil. E isso tem muito significado pra mim.

Saber de sua história, de sua origem, do sofrimento que os seus passaram (e continuam passando)... Precisamos de pensar em tudo isso para nossa presença na sociedade. Já disseram tantas coisa horríveis sobre nossa cor, nosso cabelo, nossos traços...

Já fui uma dessas que quis ter cabelos lisos... Mas chega uma época que começamos a perceber quem tá mandando na mente de quem.

Sou vaidosa com meus cachos. Frequento o Beleza Natural, que muito ajuda essas mulheres a valorizar a beleza da mulher que existe em cada uma de nós.

Quem quiser ler mais sobre este tema, sugiro um belo texto. Clique aqui.

Foi um pouco desabafante esse post né? Necessário fazer isso de vez em quando.

Com esse post, também participo da campanha #naoprecisodecadiveu



Abraço pra vocês!