03 julho 2020

Você está bem forte hein.

Em uma das quartas-feiras que acompanhei minha mãe ao hospital para fazer a paracentese, fiquei ouvindo o diálogo entre dois senhores.

Os dois com mais de oitenta anos. 
Os dois com vários problemas de saúde. 
Os dois também fazem paracentese. 
Um na cadeira de rodas.
O outro anda com ajuda de bengala e de seu neto. 


Eles falavam sobre suas profissões, quando ainda trabalhavam.
Quando, um diz ao outro:

- Mas o senhor está bem forte e conservado. 
- É verdade. Estou forte e conservado. E o senhor também está muito bem. 

Gente, eu sorri por trás da máscara. Aquele sorriso de quem quer chorar.

Gente, dois homens, velhos, doentes, tecendo elogios sobre a fortaleza deles. 

É um grande aprendizado pra mim que muitas vezes ouço minhas próprias lamúrias: estou muito cansada, acho que não dou conta disso tudo, preciso de tempo pra descansar... 

Voltei pra casa pensando no diálogo deles. 
E entendendo melhor o que é ser forte e estar bem. 
Quanta gente está bem e não sabe. 
Quanta gente consegue ficar bem mesmo quando, aos nossos olhos, não estão. 

Eu desejo fortaleza para a minha vida. E também para a sua, que vem aqui ler o que eu escrevo de vez em quando. 

Abraço. 
Até a próxima história. 



28 junho 2020

Tenho visto coisas bonitas

Temos acompanhado minha mãe ao hospital toda quarta-feira, para que ela faça o procedimento paracentese (retirada de água da barriga).

Conhecemos 9 pacientes que vão lá, às quartas, para fazer esse procedimento. Minha mãe é a única mulher.

Soubemos que nem todas as pessoas que fazem a paracentese estão na fila do transplante. Para entrar na fila do transplante o paciente tem que obedecer uma série de recomendações e, se por acaso não consegue obedecer, não entra na fila. Um exemplo é a bebida alcoólica. No caso do transplante de fígado, o paciente não pode pensar em tomar nada que tenha álcool.

São homens com idades variadas que encontramos às quartas-feiras e não sei o motivo da doença deles. Tem gente nova, mais ou menos da minha idade, trinta e poucos anos. E senhores com mais de oitenta anos.

E foi com um desses senhores que observei uma cena de extrema beleza. Quem o acompanha é um neto, de dezoito anos mais ou menos. O menino tem um carinho pelo seu avô que os que estão à volta ficam admirados. Igual eu fiquei. Fica perto, abraça, fala perto do ouvido com carinho para o avô escutar, arruma a máscara, ajuda-o a passar álcool em gel nas mãos. Oferece água e frutas (porque ficamos uma manhã inteira no hospital). Ajuda o avô a caminhar com bengala ou sem ela. É um cuidado ao idoso que precisamos cultivar.

Bonito também é ouvir o neto valorizar o passado do seu avô. Falando e motivando-o a falar da profissão que exerceu durante grande parte de sua vida. Foi porteiro. E fala sobre isso com uma alegria e saudade de trabalhar.

Gente, eu até levo livros para ler enquanto aguardo, a manhã inteira, minha mãe no hospital. Mas as histórias e as vidas que estão ali são também muito interessantes. O livro eu posso ler depois. Agora, aprender com a história e a vida daquelas pessoas tem sido um presente.

Em épocas em que não valorizamos o idoso e seu poder de nos ensinar com sua experiência e história, encontrar uma cena e uma realidade assim é raridade.

Isso é uma coisa bonita.

Até a próxima história.




23 junho 2020

Quarentena 5

Os dias não são os mais fáceis e leves por aqui.

O vírus não alcançou nossa casa. Mas esteve presente em nossa família. Meu tio, irmão da minha mãe teve corona vírus. Está em recuperação sem necessitar de internação.

Minha mãe está na fila do transplante do fígado. O caso dela se agravou um pouco no último mês. Está fazendo paracentese (tirar água da barriga) toda semana. Vamos com medo do vírus. Mas temos que ir ao hospital toda semana.

Também estamos na reconstrução do muro que desabou nas chuvas de janeiro passado. O muro atingiu duas paredes de nossa casa, que conseguimos reconstruir no mês de abril. Agora, neste mês de junho começamos a reconstrução do muro. Muitos gastos, muita poeira, muito trabalho.

Continuo trabalhando pelo colégio, on line e, acompanhamos as notícias do retorno para a escola. Também com medo.

Faço brigadeiros e bolos quando tenho encomenda. E a cozinha é a minha válvula de escape. É o momento que eu esqueço um pouco de tudo isso que estamos vivendo. Mas, logo depois, volto para a realidade.

Quero interagir no blog com mais frequência. Mas, por esses dias não consegui.

Espero que vocês que passam por aqui estejam bem.

Abraço.

14 maio 2020

Coroação a Nossa Senhora

Trabalho em um colégio confessional e no mês de maio sempre fazemos a tradicional coroação a Maria, Mãe de Jesus.

Neste ano o isolamento social suspendeu as aulas e todas as atividades que fazemos. Mas, encontramos um jeito de fazer a coroação junto com as crianças da Educação Infantil.

Assista ao vídeo.


Receita de broa.





Eu trabalhava num escritório e, de vez em quando, alguns frequentadores daquele lugar levavam lanches pra mim. E eu amava.

A Maria Carolina começou a trabalhar comigo neste local e a mãe dela sempre enviava um pedaço de uma broa super fácil de fazer.

Um dia desses, durante a quarentena, senti vontade de comer a tal broa. Enviei uma mensagem para a mãe da Carol e ela me passou a receita.

Já fiz 3 vezes aqui em casa.

Gostamos de tomar café com broa.

* O Luís, meu noivo, sugeriu trocar o açúcar cristal pelo açúcar mascavo. Eu fiz isso e a receita ficou mais saborosa. A receita original leva açúcar cristal e a receita que segue abaixo leva açúcar mascavo.



Brôa de Fubá


Ingredientes

3 ovos
1 xícara de açúcar mascavo
2 xícaras de fubá
1 xícara de óleo
1 xícara de leite
1 colher de sopa de fermento
1 pitada de sal


Modo de fazer:
Bater tudo no liquidificador.
Primeiro bata os ovos com o açúcar mascavo, até ficar bem misturado. Acrescente o óleo e o leite e bata mais um pouco. Por último acrescente o fubá e o sal. Depois que a massa estiver homogênea, acrescente o fermento e bata mais um pouco.

*Pode acrescentar à massa:*
Queijo ou côco ralado ou bananas.

02 maio 2020

Quarentena 4

Seguimos na tentativa de adaptação a esta fase que vivemos.

Por aqui está tudo bem, exceto algumas angústias que surgem em nosso cotidiano.

Ficamos protegidas em casa, eu e minha mãe. Fazemos acompanhamento da saúde dela por consultas on line. Ela faz exames, enviamos os resultados pelo Whatsapp e o médico responde o que temos que fazer.

Minha irmã vem algumas vezes. E é bom que ela venha. Ela traz um pouco de ternura para a solidão que vivemos.

Vez ou outra tenho que ir ao mercado. Vou extremamente protegida.

Um desafio são as aulas on line. Gravar vídeos para os alunos, aprender a trabalhar na plataforma do colégio. Mas vamos superando os desafios de cada dia.

Gravar vídeos na minha casa é um exercício de paciência. Rua super movimentada, tem ônibus, cachorro latindo, vizinhos gritando. Eu gravo uns 10 vídeos... para dar certo um.

Em casa também continuamos nas pequenas encomendas de bolos e brigadeiros que surgem na quarentena. E considero isso bom. Bom pra mim, que fico entretida fazendo bolos. Bom pra quem celebra a vida, o amor.

Aqui no Brasil temos uma crise política em meio a essa pandemia. Confesso que fico muito angustiada em observar o comportamento do Jair, o homem que pessoas do meu país escolheu para presidente.


Um abraço para você que aparece por aqui de vez em quando.

AnaVi.

15 abril 2020

Nossa produção na Páscoa 2020

Temos um confeitaria artesanal e familiar.
Talvez vocês já devem ter visto eu falar sobre isso aqui.

Sempre fazemos guloseimas e chocolates para datas sazonais e por encomendas também.

Para a Páscoa deste ano ficamos meio receosos com a produção e a saída dos produtos, devido ao Corona Vírus.

Por aqui deu tudo certo. Tivemos muitas encomendas, principalmente dos biscoitinhos.

Partilho com vocês um pouco dos nossos produtos.

Vocês podem conhecer melhor sobre nós e os doces que fazemos, no Instagram da Divino Brigadeiro e/ou nosso site.















Um abraço, até mais.