Aprendi sobre acessibilidade a
partir de um movimento muito concreto: o desejo de tornar meus livros infantis
acessíveis às pessoas com deficiência. Não foi algo que veio primeiro da
teoria, mas da prática, da escuta e da necessidade de fazer melhor.
- Maressa e os biscoitos da alegria (2023)
- O avô – histórias e memórias (2024)
- e A avó – retalhos e afetos (2025)
Todos
eles contam com duas medidas de acessibilidade: Libras e audiodescrição.
Foi nesse caminho que aprendi, de fato, o que é a audiodescrição. Conheci também pessoas e equipes que ampliaram meu entendimento sobre o cuidado envolvido nesse trabalho, como a equipe da AD Imagens e Palavras, responsável pela audiodescrição dos meus livros.
A partir daí meu olhar ficou mais atento, mais sensível, mais atravessado por essa
pergunta: quem consegue acessar o que estou oferecendo
ao mundo?
Esse
envolvimento com o universo literário e com as práticas de acessibilidade
passou a me acompanhar para além dos livros. Ele começou a aparecer nos espaços
que frequento, nas exposições que visito, nas experiências culturais que vivo.
Em
janeiro de 2026, ao visitar a exposição de Gordon Parks, no Instituto Moreira
Sales, em São Paulo, essa sensibilidade ganhou corpo. A exposição propõe uma
experiência interativa e oferece a audiodescrição de algumas fotografias.
Parei
diante de uma delas e me permiti ficar. Ouvi a descrição e, enquanto escutava,
via a imagem de outro jeito. Eu já havia vivido algo semelhante ao ouvir a
audiodescrição dos meus próprios livros, mas ali, naquele espaço expositivo, a
experiência ganhou outra dimensão.
Além
da audiodescrição a fotografia é reproduzida em uma prancha tátil. A
possibilidade de, além de ouvir, tocar. A pessoa com deficiência visual pode
sentir a imagem com as mãos, por meio de uma prancha feita de resina acrílica.
Achei aquilo simplesmente maravilhoso. Um convite ao encontro, ao acesso, à
presença.
Ao
longo da exposição, outras fotografias também contam com esse recurso.
A
audiodescrição dessas imagens está disponível no site do Instituto Moreira
Sales. Deixo aqui o link para quem desejar viver essa experiência. Porque
acessar uma obra é, antes de tudo, um direito. E tornar o acesso possível é um
gesto de cuidado.
Até mais.
Ana Virgínia.
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