19 janeiro 2026

Medida de acessibilidade - audiodescrição

Aprendi sobre acessibilidade a partir de um movimento muito concreto: o desejo de tornar meus livros infantis acessíveis às pessoas com deficiência. Não foi algo que veio primeiro da teoria, mas da prática, da escuta e da necessidade de fazer melhor.


Até agora, publiquei três livros infantis:

  • Maressa e os biscoitos da alegria (2023)
  • O avô – histórias e memórias (2024)
  • e A avó – retalhos e afetos (2025)

Todos eles contam com duas medidas de acessibilidade: Libras e audiodescrição.


Foi nesse caminho que aprendi, de fato, o que é a audiodescrição. Conheci também pessoas e equipes que ampliaram meu entendimento sobre o cuidado envolvido nesse trabalho, como a equipe da AD Imagens e Palavras, responsável pela audiodescrição dos meus livros.


A partir daí meu olhar ficou mais atento, mais sensível, mais atravessado por essa pergunta: quem consegue acessar o que estou oferecendo ao mundo?


Esse envolvimento com o universo literário e com as práticas de acessibilidade passou a me acompanhar para além dos livros. Ele começou a aparecer nos espaços que frequento, nas exposições que visito, nas experiências culturais que vivo.


Em janeiro de 2026, ao visitar a exposição de Gordon Parks, no Instituto Moreira Sales, em São Paulo, essa sensibilidade ganhou corpo. A exposição propõe uma experiência interativa e oferece a audiodescrição de algumas fotografias.




Parei diante de uma delas e me permiti ficar. Ouvi a descrição e, enquanto escutava, via a imagem de outro jeito. Eu já havia vivido algo semelhante ao ouvir a audiodescrição dos meus próprios livros, mas ali, naquele espaço expositivo, a experiência ganhou outra dimensão.


Além da audiodescrição a fotografia é reproduzida em uma prancha tátil. A possibilidade de, além de ouvir, tocar. A pessoa com deficiência visual pode sentir a imagem com as mãos, por meio de uma prancha feita de resina acrílica. Achei aquilo simplesmente maravilhoso. Um convite ao encontro, ao acesso, à presença.


Ao longo da exposição, outras fotografias também contam com esse recurso. 


A audiodescrição dessas imagens está disponível no site do Instituto Moreira Sales. Deixo aqui o link para quem desejar viver essa experiência. Porque acessar uma obra é, antes de tudo, um direito. E tornar o acesso possível é um gesto de cuidado.





Até mais. 

Ana Virgínia.